Arquitetura de Colo de Mãe





Meus lugares favoritos na verdade são momentos no tempo. Falei sobre isso na última consulta com a psicóloga. O tempo me marca com pin de localização. Lugares dentro da hora com arquitetura tão firme quanto colo de mãe. 

O tempo reserva espaços em mim como paisagens tatuadas na memória. Só que com cheiro de nostalgia e uma pitada de saudade. É a sensação de pertencer ao momento. É lembrar da cor e da textura da almofada que engoliu suas lágrimas naquele dia que faltou ar e você mudou todo o rumo da sua história.

É lembrar de uma frase que te marcou e, a partir dela, saber que foi aquele professor de história da arte, na sala 211 da faculdade, quem disse. É ouvir uma música e imediatamente sentir a exata sensação do dia que aquela pessoa te olhou e vocês se beijaram. O tipo de coisa que sei que se constrói sem querer. De mansinho. À tarde num domingo nublado.

São mapas inteiros. Desenhados por intuição. Por quem sente a vida nas entrelinhas. Por quem as vezes também se deixa ser dirigido por ela. É sobre estar atento aos detalhes.Vulnerável para absorver nuances. Por isso arquiteturas de colo de mãe não se constroem totalmente em intenção. Mas sim no espaço entre o silêncio e uma batida do coração.

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