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Mostrando postagens com o rótulo Relacionamento Abusivo

MATERNIDADE x PATERNIDADE

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  Meu filho ainda era só um recém nascido. A amamentação ainda era uma situação de puro desconforto e dor. Podia ser noite ou dia, ele acordava para mamar, mais ou menos, de duas em duas horas. Sugava por meia hora e voltava a dormir. Numa dessas noites, acordei com ele chorando muito e levantei pra pegá-lo e percebi que meu marido não estava na cama. Amamentei e enquanto ele adormecia, desci as escadas para saber o que estava acontecendo. Foi um momento muito surreal. Foi ali que eu percebi que estávamos vivendo em universos distantes. De fone de ouvido, jogando video-game. Foi como encontrei a pessoa que eu esperava que estivesse acordado para me ajudar com nosso filho. Em que hora do meu dia de 94 horas em 24, eu conseguia só parar para relaxar? Em que momento, dentro de todas as 497 coisas que eu pensava em dar conta todos os dias, eu conseguiria acordar no meio da madrugada pra fazer algo só pra "relaxar"? O gancho é o seguinte: engravidamos. Carregamos dentro de nós, pa...

CRISE DE IDENTIDADE

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  Lembro que na época uma moça deu o que falar na internet porque falou a seguinte frase “Amo meu filho, mas odeio ser mãe”. E a maternidade é isso. Um amor absurdo, maior que tudo, e ao mesmo tempo uma exaustão grotesca. Física, psicológica e emocional. Você é a mãe, o alimento, o universo, a calmaria, o peito de conforto, a voz conhecida, a cadeira de balanço, a cama, o brinquedo preferido. Você é tudo, menos você. E vai tentar explicar para qualquer outra pessoa que apesar de lindo, é solitário, é cansativo. Por que normalizam tanto trabalho? Não só normalizam, romantizam. Por que damos conta. A que custo? Ouvimos coisas como “Você é uma guerreira. Uma mulher muito forte”, como se fosse uma coisa realmente boa. Mas acontece que não é. Se fossemos pra esta batalha munidas não só de apoio familiar, como o da sociedade, políticas públicas decentes e principalmente, um homem que faça mesmo o seu papel de pai e marido, aí sim, seria algo lindo. Na imensa maioria, não é o que acontece...

MÃE DE DOIS

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  Não é fácil admitir uma falha grotesca. E falar do meu relacionamento com o pai do meu filho é admitir que errei em níveis estratosféricos comigo mesma. Quando engravidei, meu casamento já estava falido. Foi literalmente empurrar com a barriga. E por isso também fiquei tão mal. Eu sabia, no fundo, que ia ter que lidar com tudo sozinha mesmo estando acompanhada. E sou o tipo de pessoa que tenta salvar navios que já afundaram. Eu tomava anticoncepcional e havia menstruado duas vezes no mesmo mês. Eu tinha certeza de que não estava grávida. Fui para o hospital com crise renal e voltei para casa com um teste de gravidez. Deveria ter caído fora ali, ter sido mãe solo, ter me priorizado. Mas não fui. E além de ficar, criei esperanças de que as coisas fossem melhorar em algum momento. Ele é um cara legal, sabe? Cheio de potencial, superinteligente, paciente, não quer guerra com ninguém. Só que era um cara bem quebrado. Cheio de traumas de infância, cresceu sem mãe, sem pai, rodeado de r...