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LÁ VEM ELE

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Grávida vira propriedade pública? É um tal de não poder dar um espirro sem que alguém brote do chão para soltar um “Mas pode? Não vai fazer mal para o bebê”?. Ou talvez enquanto espera um ônibus chegar no ponto, sinta um toque inesperado na barriga de algum sem noção que acha que está tudo bem te tocar sem sua permissão agora que você está barriguda. Perto do parto, já quase pós-graduada em “Teoria da Maternidade” pelo Google, mil inscrições em canais de YouTube sobre infância depois, as coisas com certeza estavam mais calmas e é óbvio que eu já amava essa criaturinha que se mexia a noite inteira, mas dormia como uma pedra durante o dia. Gostaria de ter uma linda história de parto para vocês, mas felizmente, hoje em dia não me arrependo, foi uma cesariana bem tranquila. Não tem como escapar, assim que colocaram aquele micro serzinho no meu colo, eu senti que eu poderia dar minha vida por ele num piscar de olhos. Eu o defenderia do mundo inteiro. Algumas coisas ficaram marcadas naquele ...

DEPOIS DO CHOQUE

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  Depois de vários exames e consultas, depois de ouvir um coraçãozinho batendo, descobrir que era um menino e os enjoos indo embora, as coisas finalmente foram se acalmando. Bom, pelo menos, eu estava começando a aceitar, e por mais louco que parecesse, eu já sentia algo por aquele micro ser dentro de mim. Pós susto, pós choque, agora com a cabeça no lugar, comecei o meu curso prático de maternidade no Dr. Google. A princípio a internet não me deu nada do que eu já não esperava: a boa e velha maternidade romantizada. Mas foi só cavar um pouquinho, e lá estavam mulheres tão desesperadas quanto eu. Uma das peças-chaves para que eu não me sentisse tão sozinha, foi justamente encontrar, mesmo que virtualmente, mulheres no mesmo barco. Havia um incômodo constante. Que tirava meu sono, que vinha como um meteoro várias vezes por dia. A maternidade e a paternidade são absurdamente distintas. Enquanto eu estava processando tudo o que estava acontecendo, nem de longe meu marido partilhava da...

OK, E AGORA?

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Todos em volta estavam bem felizes e radiantes. Meu marido estava parecendo um boneco de Olinda se arrastando pelos lados só seguindo o fluxo. Eu só chorava e vomitava. E em menos de 48h que eu havia descoberto a gravidez, já sentia duas coisas viriam a me acompanhar, aparentemente, pra sempre: solidão e culpa. Meu filho era menor que um grão de arroz. Mas eu já ouvia que eu precisava estar bem pra que ele não sofresse. Afinal ele sente o que você sente. Aos poucos o que era "eu" se perdia gradativamente pra se tornar apenas um receptáculo de algo muito maior. Minhas dores e sofrimentos não tinham valor nenhum, aliás, era como se eu o estivesse torturando. Eu não sabia, mas essa culpa iria aumentar em proporções gigantescas, bem como a solidão, bem como a auto crítica, bem como a urgência de dar conta, a cobrança do dia a dia. Eu não sabia mas eu já estava fadada a dar errado em tudo pelos próximos anos. Antes de existir uma barriga, antes de entender o que realmente estava a...

DE REPENTE GRÁVIDA

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  E do dia para a noite, você se vê sentada na privada, estômago embrulhado e a certeza de que nada mais vai ser como antes, por causa de dois simples traços num pedaço de papel mijado. O teste tinha dado positivo, e sem querer, sem planejar, tomando remédio, e tendo menstruado duas vezes no mesmo mês, você está gerando uma criança que não estava nos seus planos. Engravida quem quer, disseram. Desespero é o mínimo. Choro, náuseas, quatrocentos e noventa e sete pensamentos ao mesmo tempo e uma sensação de que tudo acabou. Aquele plano, sabe? Que você tinha feito e estava toda serelepe colocando em prática. Acabou. Pega todas as suas metas para esse e para os próximos anos, tranca numa caixinha bem trancados, e esquece, porque acabou. Amanhã você vai acordar e nos três primeiros segundos você ainda será sua ‘eu’ de antes, e virá como um choque. Simples como uma facada no peito. Eu não sou mais eu.