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CRISE DE IDENTIDADE

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  Lembro que na época uma moça deu o que falar na internet porque falou a seguinte frase “Amo meu filho, mas odeio ser mãe”. E a maternidade é isso. Um amor absurdo, maior que tudo, e ao mesmo tempo uma exaustão grotesca. Física, psicológica e emocional. Você é a mãe, o alimento, o universo, a calmaria, o peito de conforto, a voz conhecida, a cadeira de balanço, a cama, o brinquedo preferido. Você é tudo, menos você. E vai tentar explicar para qualquer outra pessoa que apesar de lindo, é solitário, é cansativo. Por que normalizam tanto trabalho? Não só normalizam, romantizam. Por que damos conta. A que custo? Ouvimos coisas como “Você é uma guerreira. Uma mulher muito forte”, como se fosse uma coisa realmente boa. Mas acontece que não é. Se fossemos pra esta batalha munidas não só de apoio familiar, como o da sociedade, políticas públicas decentes e principalmente, um homem que faça mesmo o seu papel de pai e marido, aí sim, seria algo lindo. Na imensa maioria, não é o que acontece...

PUERPÉRIO

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  Ah o puerpério. O nome já assusta e é para assustar mesmo, pois pense num pesadelo. A palavra dormir sai do seu vocabulário de modo que se você não sabe nem o significado, o ato em si então, é um mito. Os primeiros meses se resumiram em dor, muita dor, choros contínuos madrugada adentro, e eu não estou falando só do bebê. A sensação é de que está tudo errado, e que em algum momento você vai desmaiar e não dar mais conta, porém, nem isso você pode. Não dar conta não é uma opção. A amamentação demorou um século e meio para deixar de ser um desconforto absurdo. Quando finalmente a gente se acertou, descobrimos que ele poderia ter APLV (alergia a proteína do leite de vaca), ou seja, eu não podia mais comer nada que tivesse sequer traços de leite, se eu quisesse continuar amamentando, e eu queria. Afinal, depois de tudo que eu tinha passado, o que era me privar um pouquinho para fazer algo que eu queria muito viver? Não era só por ele. Certamente ele se adaptaria a qualquer mamadeira ...

LÁ VEM ELE

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Grávida vira propriedade pública? É um tal de não poder dar um espirro sem que alguém brote do chão para soltar um “Mas pode? Não vai fazer mal para o bebê”?. Ou talvez enquanto espera um ônibus chegar no ponto, sinta um toque inesperado na barriga de algum sem noção que acha que está tudo bem te tocar sem sua permissão agora que você está barriguda. Perto do parto, já quase pós-graduada em “Teoria da Maternidade” pelo Google, mil inscrições em canais de YouTube sobre infância depois, as coisas com certeza estavam mais calmas e é óbvio que eu já amava essa criaturinha que se mexia a noite inteira, mas dormia como uma pedra durante o dia. Gostaria de ter uma linda história de parto para vocês, mas felizmente, hoje em dia não me arrependo, foi uma cesariana bem tranquila. Não tem como escapar, assim que colocaram aquele micro serzinho no meu colo, eu senti que eu poderia dar minha vida por ele num piscar de olhos. Eu o defenderia do mundo inteiro. Algumas coisas ficaram marcadas naquele ...