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AMAMENTAÇÃO E APLV

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Eu pensava que a amamentação era algo instintivo e fácil. Nenhuma mulher que eu conhecia que havia sido mãe tinha em algum momento relatado algo ruim sobre amamentar. E para minha enorme surpresa existia não só inúmeras mulheres relatando uma dificuldade absurda, como também havia cursos sobre a “ciência” por trás da “pega correta”. Depois daquele episódio com a enfermeira no hospital, por mais que eu soubesse que havia me machucado, eu não imaginava nem de longe que aquele momento teria “destruído” meus próximos meses. O que eu sentia toda vez que ele pegava era tão forte, que por mais que eu me segurasse, eu acabava gritando de dor. Todas as vezes que ele soltava era um alívio, e um susto, de ver que além de leite, também havia sangue. A posição “comum” com a criança deitada nos nossos braços, era um pesadelo. Então comecei a tentar colocar aquele serzinho minúsculo em posições diferentes para ver se em alguma outra posição, doía menos. Era um experimento. Sempre mudando. Almofadas e...

MATERNIDADE x PATERNIDADE

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  Meu filho ainda era só um recém nascido. A amamentação ainda era uma situação de puro desconforto e dor. Podia ser noite ou dia, ele acordava para mamar, mais ou menos, de duas em duas horas. Sugava por meia hora e voltava a dormir. Numa dessas noites, acordei com ele chorando muito e levantei pra pegá-lo e percebi que meu marido não estava na cama. Amamentei e enquanto ele adormecia, desci as escadas para saber o que estava acontecendo. Foi um momento muito surreal. Foi ali que eu percebi que estávamos vivendo em universos distantes. De fone de ouvido, jogando video-game. Foi como encontrei a pessoa que eu esperava que estivesse acordado para me ajudar com nosso filho. Em que hora do meu dia de 94 horas em 24, eu conseguia só parar para relaxar? Em que momento, dentro de todas as 497 coisas que eu pensava em dar conta todos os dias, eu conseguiria acordar no meio da madrugada pra fazer algo só pra "relaxar"? O gancho é o seguinte: engravidamos. Carregamos dentro de nós, pa...

CRISE DE IDENTIDADE

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  Lembro que na época uma moça deu o que falar na internet porque falou a seguinte frase “Amo meu filho, mas odeio ser mãe”. E a maternidade é isso. Um amor absurdo, maior que tudo, e ao mesmo tempo uma exaustão grotesca. Física, psicológica e emocional. Você é a mãe, o alimento, o universo, a calmaria, o peito de conforto, a voz conhecida, a cadeira de balanço, a cama, o brinquedo preferido. Você é tudo, menos você. E vai tentar explicar para qualquer outra pessoa que apesar de lindo, é solitário, é cansativo. Por que normalizam tanto trabalho? Não só normalizam, romantizam. Por que damos conta. A que custo? Ouvimos coisas como “Você é uma guerreira. Uma mulher muito forte”, como se fosse uma coisa realmente boa. Mas acontece que não é. Se fossemos pra esta batalha munidas não só de apoio familiar, como o da sociedade, políticas públicas decentes e principalmente, um homem que faça mesmo o seu papel de pai e marido, aí sim, seria algo lindo. Na imensa maioria, não é o que acontece...