CRISE DE IDENTIDADE
Lembro que na época uma moça deu o que falar na internet porque falou a seguinte frase “Amo meu filho, mas odeio ser mãe”. E a maternidade é isso. Um amor absurdo, maior que tudo, e ao mesmo tempo uma exaustão grotesca. Física, psicológica e emocional.
Você é a mãe, o alimento, o universo, a calmaria, o peito de conforto, a voz conhecida, a cadeira de balanço, a cama, o brinquedo preferido. Você é tudo, menos você. E vai tentar explicar para qualquer outra pessoa que apesar de lindo, é solitário, é cansativo.
Por que normalizam tanto trabalho? Não só normalizam, romantizam. Por que damos conta. A que custo? Ouvimos coisas como “Você é uma guerreira. Uma mulher muito forte”, como se fosse uma coisa realmente boa. Mas acontece que não é.
Se fossemos pra esta batalha munidas não só de apoio familiar, como o da sociedade, políticas públicas decentes e principalmente, um homem que faça mesmo o seu papel de pai e marido, aí sim, seria algo lindo. Na imensa maioria, não é o que acontece.
Não me surpreende em nada ver tantas, mas tantas, mulheres passando pelas mesmas coisas, afundadas em cargas e cobranças surreais. Realmente, mulheres incríveis, fortes, mas em pedaços. Quem cuida da mãe enquanto ela cuida de tudo?
Quem fica depois que a gente adoece? Quem permanece se enlouquecemos? Se caímos?
Eu faria de tudo pelo meu filho, é óbvio. A frase, “mãe é mãe” existe justamente porque protegemos nossas crias a qualquer custo.
Mas até quando vão se aproveitar deste fato para continuarem se “safando” das responsabilidades, enquanto nós mulheres adoecemos ao longo dos anos?
O custo é nossa saúde mental. O custo são anos das nossas vidas que deixamos de lado apenas para cuidar, para gerir. O custo é abdicar de si. E se perder no caminho, muitas vezes. E obrigatoriamente fazer o que eles não fazem. Dizer o que eles precisam fazer. Levantar todos os dias pensando em tudo, menos em você mesma.
Então, sim, eu amo meu filho mais que tudo. Mas eu odeio ser mãe nessa sociedade.

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