LÁ VEM ELE
Grávida vira propriedade pública? É um tal de não poder dar um espirro sem que alguém brote do chão para soltar um “Mas pode? Não vai fazer mal para o bebê”?. Ou talvez enquanto espera um ônibus chegar no ponto, sinta um toque inesperado na barriga de algum sem noção que acha que está tudo bem te tocar sem sua permissão agora que você está barriguda.
Perto do parto, já quase pós-graduada em “Teoria da Maternidade” pelo Google, mil inscrições em canais de YouTube sobre infância depois, as coisas com certeza estavam mais calmas e é óbvio que eu já amava essa criaturinha que se mexia a noite inteira, mas dormia como uma pedra durante o dia.
Gostaria de ter uma linda história de parto para vocês, mas felizmente, hoje em dia não me arrependo, foi uma cesariana bem tranquila. Não tem como escapar, assim que colocaram aquele micro serzinho no meu colo, eu senti que eu poderia dar minha vida por ele num piscar de olhos. Eu o defenderia do mundo inteiro.
Algumas coisas ficaram marcadas naquele dia no hospital: a primeira delas é que não fez o menor sentido que minha mãe tenha dormido comigo lá no primeiro dia, isso é tarefa do pai, e ele deveria ter ficado. Mas a gente fica meio idiota, anestesiada, perdida, e tudo bem. Mas essa “tradição” é mesmo muito ineficaz.
A segunda é que eu deveria ter confiado mais no meu instinto e estudo de meses, e não cegamente na enfermeira que veio me “ajudar” a amamentar. Era para ser um momento mágico, mas acabou virando um momento de dor e desespero.
A senhorita que apareceu com meu filho no colo depois do que pareceu uma eternidade depois de o ter visto pela primeira vez, já chegou me perguntando se eu estava pronta para dar de mamar. Eu me sentia pronta para lutar numa guerra.
O problema é que além de não ter ouvido uma palavra do que ela disse, eu também estava em transe, e não percebi o que realmente estava acontecendo.
Aquela moça apertou meu peito com tanta força, que eu achei que em algum momento ao invés de coloatro, sairia milk-shake. E assim, sem mais nem menos, apertando o bico do meu peito como se fosse qualquer coisa, menos parte do meu corpo, ela enfiou na boca do meu filho, que sugou com toda sua forcinha de menos de um dia fora da barriga.
Até aí, tudo mágico e incrível. Até ele dormir e soltar, e literalmente, sem exagero, o bico do meu peito parecia uma uva-passa, completamente amassado, roxo e ensanguentado.
Eu não sabia, mas a pega errada iria me causar muitos meses de dor de cabeça.

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