OK, E AGORA?


Todos em volta estavam bem felizes e radiantes. Meu marido estava parecendo um boneco de Olinda se arrastando pelos lados só seguindo o fluxo. Eu só chorava e vomitava.

E em menos de 48h que eu havia descoberto a gravidez, já sentia duas coisas viriam a me acompanhar, aparentemente, pra sempre: solidão e culpa.

Meu filho era menor que um grão de arroz. Mas eu já ouvia que eu precisava estar bem pra que ele não sofresse. Afinal ele sente o que você sente.

Aos poucos o que era "eu" se perdia gradativamente pra se tornar apenas um receptáculo de algo muito maior. Minhas dores e sofrimentos não tinham valor nenhum, aliás, era como se eu o estivesse torturando.

Eu não sabia, mas essa culpa iria aumentar em proporções gigantescas, bem como a solidão, bem como a auto crítica, bem como a urgência de dar conta, a cobrança do dia a dia. Eu não sabia mas eu já estava fadada a dar errado em tudo pelos próximos anos.

Antes de existir uma barriga, antes de entender o que realmente estava acontecendo, antes mesmo do primeiro exame ou da primeira consulta, eu já tinha entendido que eu estava sozinha com meus sentimentos, que eu iria me culpar por cada passo que eu desse

e que eu já era uma péssima mãe.

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