DEPOIS DO CHOQUE
Depois de vários exames e consultas, depois de ouvir um coraçãozinho batendo, descobrir que era um menino e os enjoos indo embora, as coisas finalmente foram se acalmando. Bom, pelo menos, eu estava começando a aceitar, e por mais louco que parecesse, eu já sentia algo por aquele micro ser dentro de mim.
Pós susto, pós choque, agora com a cabeça no lugar, comecei o meu curso prático de maternidade no Dr. Google.
A princípio a internet não me deu nada do que eu já não esperava: a boa e velha maternidade romantizada. Mas foi só cavar um pouquinho, e lá estavam mulheres tão desesperadas quanto eu.
Uma das peças-chaves para que eu não me sentisse tão sozinha, foi justamente encontrar, mesmo que virtualmente, mulheres no mesmo barco.
Havia um incômodo constante. Que tirava meu sono, que vinha como um meteoro várias vezes por dia. A maternidade e a paternidade são absurdamente distintas.
Enquanto eu estava processando tudo o que estava acontecendo, nem de longe meu marido partilhava das mesmas sensações e obrigações. E outra coisa já era muito nítida, enquanto ele não era obrigado a participar, ele não participava.
Ele não colocava a mão na minha barriga sem que eu pedisse. Zero iniciativa. Ele estava cada dia mais enfiado no trabalho e no video-game. Fugindo da realidade como ele podia fugir.
Minha esperança era que mudasse, que pegasse no tranco, que virasse parceria. Doce ilusão.

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