PUERPÉRIO

 


Ah o puerpério. O nome já assusta e é para assustar mesmo, pois pense num pesadelo. A palavra dormir sai do seu vocabulário de modo que se você não sabe nem o significado, o ato em si então, é um mito.

Os primeiros meses se resumiram em dor, muita dor, choros contínuos madrugada adentro, e eu não estou falando só do bebê. A sensação é de que está tudo errado, e que em algum momento você vai desmaiar e não dar mais conta, porém, nem isso você pode. Não dar conta não é uma opção.

A amamentação demorou um século e meio para deixar de ser um desconforto absurdo. Quando finalmente a gente se acertou, descobrimos que ele poderia ter APLV (alergia a proteína do leite de vaca), ou seja, eu não podia mais comer nada que tivesse sequer traços de leite, se eu quisesse continuar amamentando, e eu queria. Afinal, depois de tudo que eu tinha passado, o que era me privar um pouquinho para fazer algo que eu queria muito viver?

Não era só por ele. Certamente ele se adaptaria a qualquer mamadeira (como aconteceu posteriormente), mas que tipo de mãe seria eu? Era uma cobrança muito grande, principalmente porque eu realmente queria tornar aquilo bonito e não ter lembranças dolorosas ao pensar.

Assim o fiz, pelo menos até ele já estar adaptado a alimentos sólidos. Lá para os 9 meses de idade, chorando muito (eu, não ele), eu dei de mamar para o meu filho pela última vez.

Tudo passa, e passa muito rápido. Hoje ele vai completar sete anos e parece que foi ontem tudo isso. Mas são emoções muito fortes, vivências muito intensas. E apesar de fazer de tudo para me manter de pé. O primeiro ano foi absurdamente solitário. Eu estava longe da terapia, e muito mais longe de conseguir pedir ajuda como deveria.

E ela veio como uma amiga conhecida de anos atrás, se aproximando lentamente, entrando todos os dias um pouquinho. Se aproveitando de cada momento que eu deixava minha mente se ausentar. Em um dia cinzento qualquer, eu me dei conta de que eu havia abraçado a depressão. E foi só o início do caos.

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